Aquecimento global, um debate caloroso…

Aug 28, 2008

Aquecimento Global / Global Warm

“Porque o aquecimento global não é uma questão racional; é uma questão de fé, exatamente como outras questões cientificas”

Não existe coisa mais perigosa no mundo que um homem inteligente munido de uma máquina de escrever (um computador nos dias de hoje). Essa verdade vem à tona quando se depara com o pequeno livro de Nigel Lawson, ex-ministro inglês e diretor da revista “The spectator”. O livro se chama “An Appel to Reason: a Cool Look at Global Warmin” (um apelo a razão: um olhar frio ao aquecimento global, Duckworth, 149pgs.) e é um milagre sua publicação. Lawson procurou várias editoras e a resposta era sempre a mesma: questionar o aquecimento global? Isso não é apenas um crime; é heresia.

Como explicar essa atitude irracional que é pura negação do espírito científico? Lawson explica: porque o aquecimento global não é uma questão racional; é uma questão de fé, exatamente como outras questões “cientificas” que assombram a Humanidade nas últimas décadas.

Nos anos 60, foi o pesadelo malthusiano de um mundo sobrepovoado e faminto; na década de 70, foi à possibilidade de uma nova era glacial perante a descida acentuada das temperaturas; agora, é um mundo que auqece, glaciares que derretem e águas que sobem uma espécie de realização das pragas bíblicas para punição dos excessos “capitalistas”. A moda do aquecimento global foi principalmente adotada por órfãos do marxismo, que substituíram uma religião secular por outra. Hoje, o verde é o novo vermelho.

Lawson desmonta alguns mitos. Sim, o mundo aqueceu 0,5°C a partir de 1975. Exatamente como sucedeu entre 1920-1940, com uma subida de 0,4°C. Razões da subida? A resposta automática das patrulhas aponta para um aumento de emissões de dióxido de carbono, que cresce desde a Revolução Industrial. Infelizmente, a resposta é débil. Primeiro, porque não é possível avaliar a real contribuição do homem para essas concentrações de CO2 na atmosfera (a natureza é responsável pela maior parcela de emissões). E, depois porque a subida da temperatura não foi uniforme no século 20: entre 1940-1975, registrou-se um arrefecimento de 0,2°C. Cientistas explicam o arrefecimento com a emissão de sulfatos em aerossóis nesse período, prática que entrou em declínio depois de 1975, quando o planeta voltou a aquecer. Mas, se assim é, como explicar o aquecimento anterior a 1940, quando os sulfatos continuavam a ser usados?

Hipótese levantada por Lawson: existem variações naturais da temperatura que não podem ser explicadas pela ação humana. Na Idade Média, houve um acentuado aquecimento a partir do século 11; entre os séculos 17 e 18, registrou-se uma pequena idade glacial com a descida considerável dos termômetros. O homem medieval e o fidalgo da corte não usavam desodorante.

A conclusão é imediata: sabemos pouco sobre os “comportamentos” do clima; e essa ignorância não deve legitimar a construção de cenários, ou de políticas, futuristas. É possível que a temperatura aumente nos próximos anos, apesar de ter estabilizado desde os inícios do século. Mas se essa possibilidade se verificar, é necessário lembrar que o aquecimento não traz apenas custos; também transporta benefícios, sobretudo nas regiões mais frias. Lawson exemplifica: O Departamento de Saúde do Reino Unido estima que o aquecimento global provoque anualmente 2.000 mortes devido ao calor; mas Lawson relembra que o mesmo Departamento estima igualmente que 20.000 vidas serão salvas do frio.

E aí, o que fazer, então? O conselho de Lawson: Prudência. Em primeiro lugar, é preciso abandonar a pretensão de um acordo global (tipo Kyoto) que assenta em premissas questionáveis e jamais será assinado por potências emergentes, como China e Índia. E, se os EUA são os maus da fita, Lawson relembra que as emissões de CO2 têm aumentado no Canadá e na Europa, que assinaram o tratado, do que na maléfica América, que o recusou.

Por ultimo, Lawson termina com uma nota de otimismo; a história do homem é a história da técnica, da forma como os seres humanos foram se adaptando as exigências do tempo e do meio. É precisamente essa

capacidade de adaptação que permitirá as futuras gerações lidar com os desafios (sejam quais for) sem que isso signifique um sacrifício das gerações presentes. O combate à fome, à doença, à proliferação nuclear e ao terrorismo internacional são causas mais prementes e mais reais, para os humanistas de hoje. Deixemos os fantasmas do clima para os humanistas de amanhã.

AUDIOVISUAL

Uma Verdade Inconveniente – 2006 – 100min

Share with others

One Response so far | Have Your Say!

  1. Literalmente…ou não - Cocuruto
    November 19th, 2008 at 18:56 #

    [...] http://www.cocuruto.com/2008/08/28/aquecimento-global-um-debate-caloroso/ by Leonardo Seabra | Categories: Conjecturas, Reclames | Tagged: Aquecimento Global, cruz vermelha, marketing, publicidade | Se interessou pelas idéias? clique aqui RSS Feed [...]

Leave a Feedback

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>